Dez anos de um crime sem respostas… Quem matou belinelo?

Dez anos de um crime sem respostas… Quem matou belinelo?

Diretor do hospital Roberto Silvares foi assassinado quando apurava suposto esquema de corrupção na unidade.

Crime ocorrido em 2012 completou dez anos em marco; até hoje, a Polícia Civil sempre jogou panos quentes sobre o caso.

O professor da Ufes e então diretor do Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, Valdenir José Belinelo, foi assassinado em março de 2012 exatamente quando apurava a existência de um suposto esquema de corrupção na unidade.

O esquema criminoso envolvia gestões anteriores à dele. Belinelo foi morto a facadas no dia 21 de março de 2012, há dez anos, quando retornava de um dia de agenda em Vitória. Seu corpo foi encontrado caído ao lado de seu carro, em uma estrada de terra às margens da BR-101, na altura do distrito de Rio Quartel, em Linhares

A Polícia Civil em Linhares nunca disse se o assassino foi preso. Inicialmente, a corporação informou à época, que duas linhas de investigação estavam sobre a mesa: crime passional ou crime de mando. Depois, curiosamente, a polícia sempre jogou panos quentes sobre o caso, atribuindo “sigilo” ao inquérito.

Durante esses dez anos, pouca coisa o público soube sobre o andamento das investigações, conduzidas pela Delegacia Regional de Linhares, onde um mesmo delegado (Fabrício Lucindo) se perpetua no poder. Ao ser questionado por jornalistas costuma direcionar à assessoria da corporação. O silêncio de dez anos se justifica pela incompetência ou pelo encobrimento de algo ou alguém?

Quando foi assassinado, no dia 21 de março de 2012, Valdenir José Belinelo retornava da capital Vitória, onde tinha participado de reuniões.

Naquele quarta-feira, 21 de março de 2012, Belinelo participou durante todo o dia de reuniões com o então deputado estadual José Carlos Elias (PTB) e com o então secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho, Jadir José Péla. Com o secretário, a reunião teve o objetivo de debater a aquisição de equipamentos mais modernos para o hospital. Todas as reuniões daquele dia transcorreram sem quaisquer anormalidades.

No fim do dia, o professor decidiu retornar para São Mateus, após fazer um lanche no Shopping Vitória. Apesar de o deputado ter o aconselhado a não viajar, ele prosseguiu para o Norte do Estado, acompanhado de mais uma pessoa. Ninguém nunca soube quem era essa pessoa.

Em Aracruz, Belinelo fez uma parada no restaurante Pamonharia da Roça, um movimentado estabelecimento comercial às margens da BR-101.

As imagens do circuito de videomonitoramento tanto do Shopping Vitória quanto da Pamonharia da Roça foram recolhidas à época pela Polícia Civil, mas jamais foram divulgadas ao público. Do inquérito policial, no entanto, nada se conhece, já que a Polícia Civil insiste em sentar sobre o caso.

Na época do crime, o delegado Fabrício Lucindo, da Delegacia Regional de Linhares, declarou à rádio “CBN Vitória”, que as investigações indicavam que o assassino era conhecido da vítima. Ele também ressaltou que uma das teses investigadas pela Polícia Civil era a de crime de mando, já que o então diretor do hospital vinha investigando supostas irregularidades na unidade. Valdenir José Belinelo foi assassinado exatamente quando havia se debruçado sob contratos de fornecimento de medicamentos para o Hospital Roberto Silvares, que teriam sido suspensos pelo então diretor, que sinalizou a existência de um suposto esquema de corrupção que envolvia gestões anteriores à dele. Na época da execução, também foram feitos movimentos para que o caso fosse federalizado, já que uma parte dos docentes da Ufes entendia que o professor, mesmo que cedido ao Estado, estava no exercício das suas atividades, por ter projetos de pesquisa e extensão junto à Universidade Federal. No entanto, o pedido de federalização não logrou êxito e os colegas de Belinelo, bem como toda a sociedade, não têm qualquer informação sobre o autor do crime.

O superintendente de Polícia do Interior na época, o então delegado Danilo Bahiense (de quem Lucindo é próximo), declarou à imprensa ainda no início das investigações que as imagens captadas durante todo o trajeto do professor desde o Shopping Vitória, onde ele fez um lanche, até o restaurante Pamonharia da Roça, em Aracruz (norte do Estado), onde ele fez uma parada, seriam importantes para saber se a vítima estava só, se estava acompanhada, ou se havia sido seguida por alguém. O delegado também disse que Belinelo estava recebendo ameaças em São Mateus por haver descoberto uma fraude na área de saúde. Bahiense salientou ( na época ), no entanto, que nenhuma linha de investigação estava descartada.

 

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